
Certa vez um presidente. Não era um presidente qualquer, como muitos que a gente encontra por aí. Não tinha o carisma de alguem como Hugo Chavez, nem a fraqueza de um George W. Bush. Não tinha a expressão lúdica como Itamar Franco, nem a ostensividade de um Collor, nem o espírito humanitário de um Hitler e, indo mais longe, a consciência tranquila de um Nero, que sequer era presidente. Mas este era diferente, porque nunca sonhou em ser presidente. Num desses movimentos que ninguem entende mesmo, as massas o elevaram ao posto máximo no poder e ele passou a governar aquela nação estranha.
Sua maior peculiaridade era que ele nao sabia. Passou a infância toda em Marte, onde nao tinha escola, e nao foi informado sobre o que ocorria na terra. Desse modo, nao sabia que a capital do Brasil nao era Buenos Aires, nem que a fórmula de Eisten transformava homens em almas, nem que o mundo caminhava independentemente de suas decisões. Ele ignorava. E era cômodo ignorar. Naquela republiqueta onde qualquer coisa podia acontecer, o mais provável era que o resto do mundo fizesse piadas. Mas entao o nosso homem era especialista em piadas. A última foi assassinar verbalmente um presidente, um notável estadista que aquela nação ousou eleger para construir a sede do seu governo.
O homem que nao entendia, passou a entender menos. Tudo o que ele nao conhecia, passou a ignorar mais veemente. O que ele venerava, passou a exorcizar. Flertou com o seu inimigo, esquivou-se do seu destino, estabeleceu-se como um marco da ignonímia e da balbúrdia. Era o ícone maior.

