There is a special place where we stop being who we are to simply move beyond our borders. That's where our dream becomes real and tangible, based on our experiences and feelings. Here is one such place. Soak your conscience and live by every word as if you had said the same.
2005-12-27
O Resgate de Giselda
Giselda, uma moça bonita, morena, inteligente e espirituosa. Mudou-se par Londres. Saiu de Belo Horizonte, ajuntando na mala todas as suas esperanças, seus medos, suas dificuldades e aptidões, deixando em stand-by as profissão de professora, pouco prestigiada neste país, e ganhou o mundo. No seu coração estava a sede de conquista, a possibilidade do ilimitado, a necessidade de se superar. Deixou uma família linda e maravilhosa que, apesar da saudade, a apoiou no seu projeto. -Ela sempre sonhou em ir pro exterior - confessa Dona Zilda, a mãe, entre saudosa e orgulhosa, uma baiana forte e simpática, como normalmente são as baianas. Com um franco sorriso e fartos cabelos encaracolados, Giselda foi distribuir simpatia em Londres, presenteando os carismáticos britânicos com o melhor da beleza trigueira deste nosso país continental. A pele morena era como uma placa em néon :”sou brasileira", mas o seu olhar firme e determinado era a própria obstinação. Como era de se esperar, o grande sorriso conquistou os sisudis ingleses e Giselda ficou lá. A saudade dos que a amam teve que ser revista. Ficou um tempo silenciosa, até se situar. Hoje, estabilizada e feliz, trabalhando, divertindo-se e magnanimamente se enchendo da cultura mundial concentrada nos nichos londrinos, ela se realiza. Com pouco tempo chegaram as fotos da Giselda posando na Trafalgar Square, diante do Parlamento, Big Ben, Távola Redonda, os lugares de sempre.... Londres ficou ofuscada pela sua presença marcante na cidade. Morando na região do cruzamento das Ruas Royal com Carlisle, bem perto da Westminister Bridge e às margens do Tamisa, todos os dias acorda bem cedo e vai ao trabalho, como realmente se espera de alguem com a sua disposição. Mas num dia qualquer de trabalho, às vésperas do fim do ano, em que nada poderia acontecer para quebrar a rotina de Giselda, ela acorda despreocupada. Como sempre, planeja seu dia, coisa que não é próprio das mulheres, elas que perdoem este humilde narrador. Vai trabalhar daqui a pouco. Vestida com um pijama com um cachorrinho amarelo estampado (o preferido dela), apesar do frio da cidade, faz sua oração matinal, pedindo a proteção de Deus, que a olha embevecido, o grande coração pingando de amor por ela. Caminha Giselda para o banho, como sempre faz. O ritual, como se sabe, é igual para todas as mulheres, conforme descrito minuciosamente num site, por um brilhante e desconhecido autor, que aqui transcrevemos:
Tira a roupa no quarto e as separa delicadamente, sendo que algumas serão colocadas no cesto de roupa suja, segundo a tonalidade das cores.
Coloca o robe e caminha calmamente até o banheiro.
Se no caminho encontrasse o namorado ou marido, cobrriria o corpo e sairia correndo para o banheiro.
No banheiro, fecha a porta, tira o robe e pára diante do espelho.
Analisa o corpo. Força a barriga para fora para poder se queixar que está mais gorda do que realmente está.
Tira todos os brincos, jóias, bijuterias e deixa organizadamente na pia.
Antes de entrar no box, organiza a toalha para o rosto, a toalha para os braços e pernas, a do cabelo, etc...
Abre o chuveiro e aguarda calmamente a água esquentar, espera o ponto ideal.
Lava o cabelo com shampoo de abacate/mel com 83 vitaminas.
Repete o processo de lavar o cabelo com o shampoo de Camomila com 105 vitaminas.
Enche o cabelo com condicionador Próativo de babosa com mais de 100 proteínas e deixa por 15 minutos.
Lava o rosto com uma mistura de pêssego por 10 minutos ate que o rosto fique vermelho.
Lava o resto do corpo com sabão de nozes e morango para o corpo.
Tira o condicionador do cabelo. Este processo leva 10 minutos.
Ela deve estar segura de que todo o condicionador foi retirado.
Depilação de axilas, pernas e a área do biquíni.
Fecha o chuveiro.
Escorre toda a água dentro do box.
Sai do box e se seca com todas as toalhas já mencionadas. (uma delas é do tamanho da África)
Coloca uma toalha super absorvente na cabeça.
Revisa mais uma vez o corpo em busca dos detalhes.
Passa creme para o rosto, para a barriga, loção para o corpo, perfume, loção, creme para os pés, cotovelos, bumbum, mãos, desodorante, etc, etc, etc.
Coloca algumas das jóias/bijouterias e pega as outras. •
Já morrendo de frio, coloca o robe e retorna ao quarto.
Se encontrasse o namorado/marido pelo caminho, se cobriria mais ainda e sairia correndo para o quarto.
1:30 horas depois está vestida.
Desta vez acontece o inusitado. Enquanto ela tomava se banho rápido de uma hora e meia, todos os outros moradores da casa saíram, como era de se esperar em uma casa em que, os que não trabalham de fato, tem a escola como se compromisso diário. E a nossa Giselda não se dá conta de que está sozinha e trancada dentro de casa antes que isto seja terrivelmente evidente. Primeiro precisou tomar o seu breakfast de pão de queijo com goiabada, só pra não quebrar a tradição mineira. Feita a terrível constatação, começa então a busca de uma solução. Primeiro volta ao quarto onde dorme e revira as gavetas. Revirar é uma forma de dizer: Separa metodicamente todo o que encontra lá, conferindo peça por peça, tentando em vão encontrar a chave. Confere as 65 bolsas, e em qualquer delas encontra o que procura. Olha embaixo da cama, no peitoril da janela, nas ranhuras do aquecedor, um modelo vitoriano e eficiente. Senta-se na cama e tenta reviver os seus últimos instantes com a chave, na noite anterior. Foi a mesma noite em que placidamente dormiu no ônibus, confiante que no ponto final acordaria, o que não aconteceu, obrigando o condutor a fazer macaquices para acordá-la. Não se lembra de nada desde então. Vamos ver. Chegou, tomou um banho daqueles, fez um chá inglês e.... eureka! Está na cozinha, pensa, animada. E, na cozinha, depois de revirar os armários, conferir a chaleira (nem tão vitoriana assim), chega à conclusão que não está ali a bendita chave. O tempo passando. Atrasada no emprego, o que é uma temeridade em Londres, como é em qualquer lugar do mundo. Volta à sala, retira as almofadas do sofá e se acomoda nele, tentando recapitular o momento em que ali se assentou para ver televisão. Nesse instante sente algo tilintando ao alcance de sua mão, e abre um sorriso largo de satisfação. É uma chave. Apalpa-a, confere. Decepção, não é A CHAVE. Pensa em chamar os bombeiros, mas ainda há tempo antes de se desesperar. Confere cada cômodo e cada canto, nada. Neste momento já se encontra suada e exausta. Pensa em tomar outro banho, mas desiste, pois no momento é prioridade encontrar o que procura. Resolve ligar para o homem da casa. Ele não se encontra. Não, não vai voltar agora. Sim, foi a um lugar distante, no outro lado da cidade. Telefona então para a dona da casa, que atende preocupada: - O que aconteceu, Gi ? - Vc nem vai acreditar, Lo. - Tente me contar então... - Estou em casa. - Uau, folga hoje? - Antes fosse, Lo. - Não me diga que foi demitida. - Também não é para tanto - Fala logo, ta me deixando preocupada - Estou presa em casa, não sei onde guardei a minha chave. - Não acredito. Você é tão certinha e organizada. O que houve? - Não sei mesmo. Como eu faço agora ? - Eu não posso ir até você – escusou-se a outra – tenho muito trabalho agora de manhã aqui na loja e não poderei me ausentar. Chame meu marido. - Ele está fora da cidade. - Menina, que enrascada! Ligue pra empresa e avise que vai chegar tarde, ou que nem vai. - Eu fiz isso, mas não me sinto à vontade. - Ora, Gi, ninguém se sente. Sugiro que fique em casa. - Não posso. Hoje tenho que liberar tudo o que acumulou de sexta-feira pra cá. - Vamos combinar então. Se eu conseguir um jeito aqui, te ligo e vou até aí com o hábeas corpus. - Obrigada, Lo. Você é ótima Giselda então refaz todo o seu caminho procurando o precioso objeto. Apela para o vizinho. Ele também não está em casa. Mesmo porque não é hora de ninguém estar em casa, somente Giselda. Lembra-se, no seu mudo desespero, da música de Raul Seixas: o dia em que a terra parou. Ninguém está onde deveria, naquela manhã. Começa a gritar pela janela. Passa um ancião, espairecendo, e sequer olha na direção dela. Na certa, sua mente está perigosamente mergulhada no passado, pensa ela. O garoto, provavelmente matando aulas àquela hora, caminha displicentemente diante de sua janela, sem lhe dar a mínima atenção. Começa a fazer mentalmente uma lista de quem poderia ser convocado para lhe dar a liberdade. Colegas de trabalho, polícia, bombeiros, Príncipe Charles. Ninguém teria a chave para lhe emprestar, portanto não adianta chamar qualquer um deles. A polícia? Prefere esperar mais. Pode ser que a polícia metropolitana chegue atirando pra depois lhe perguntar o que realmente aconteceu. Chama os bombeiros, por fim. Não são eles os heróis do calendário, os que socorrem necessitados, salvam gatinhos de árvores? Ela não é uma gatinha em apuros :? Pois então. Mas um fato estranho estava para acontecer. A sua ligação para os bombeiros, por uma anomalia instantânea de um satélite de comunicação, coisa que não tem explicação, foi . --------------- to be continued ----------------------------------------
2005-12-19
Fim de noite

O copo tombado no chão, o gelo derretido de uma farra solitária, os olhos ardendo diante da luz insuficiente da sala (quase escreveu bruxuleante, como gostaria, né ?), a toalha amarrada na cintura, ele pensava no que tinha acontecido. Era pra ser um dia calmo, na pasmaceira modorrenta de todo domingo, mas acordou com os trovões à sua janela, a chuva caindo pesada e constante.
Pestando mais atenção aos ruídos do dia ele pôde distinguir, sobressaltado, que gritos de terror ecoavam lá fora. Era uma guerra de nervos. Pessoas desesperadas sendo devoradas pelo horror da guerra. Foi então que percebeu que os trovôes não o eram simplesmente, mas eram os canhões que espoucavam (onde já se viu guerra com canhões? isso é coisa da idade média!), enquanto os caças despejavam seus mísseis sobre a cidade indefesa.
O prefeito havia sido raptado e o poder tinha sido substituído pelas forças inimigas. Um general calvo (sem preconceitos, por favor), berrava num megafone (cadê a internet?) se auto-intitulando governador da província (provìncia? por favor, me poupe, você bebeu o que?)
O quartel general das forças de ocupação (tem visto muito filme baixado em DIVX) tinha sido estabelecido no edifício JK (tinha que ser ele, tadinho, só pela má fama que sempre carregou injustamente, agora paga o pato). As crianças tinham sido agrupadas onde funcionava a polícia, no prédio (tá parecendo a história do Pink Floyd - The Wall. Só falta alguem cantar 'Leave those kids alone').
Olhou no fundo do copo (devia ser onde ele conseguia tanta informação). Sentiu que nao estava bem. Não ele, mas o copo. Vazio, definitivamente. Tinha acabado a última garrafa de Martini, que sobrara do ano anterior, de tanto que ele bebia. Era um Martini antigo, comprado na promoção do Champion, quando este existia. Nada se comparando às beberagens do Rio no último reveillon.
- Será que fiquei louco? - pensou (interessante como eu sei o pensamento dele)
- E quem não é? - consolou-se
Ligou a televisão, mas nao havia transmissão normal. Todos os canais transmitiam a imagem nefasta do general careca, que explicava que a cidade fora julgada e executada pelos seus numerosos pecados.
---- vou dar um tempo com a história ---- não estou entendendo mais nada e já passou de meia noite - o sono chegou. Amanhã a gente vê como termina isso.
2005-12-16
Um dia de fúria
Lembro-me de ter visto um filme há muito tempo (não vou dizer quanto pra ninguem especular minha idade, embora eu não esconda que sou um garoto), em que um pacato cidadão, indo para o seu trabalho, acabava se envolvendo em vários acontecimentos inusitados, tornando-se uma máquina de matar.
Não vou me inspirar no filme. Aliás, nem sei porque eu o citei aqui nesse post (antes era crônica, agora se chama post), mas um dia de fúria (era o nome do filme) não tinha final feliz.
Paralelamente, e invariavelmente, depois do desjejum diário (de que nem sempre eu me lembro) ando os quatro quarteirões que me separam do trabalho. Que me invejem os mortais, mas eu vou a pé para o trabalho e ainda almoço em casa!! Isso é Belo Horizonte !!!
Pois bem, chego primeiro, abro a firma e a primeira providência é fazer um backup do software de gerenciamento que eu mesmo criei. Não confio no backup automático do servidor. Esse software tem uma história. Eu o construí em pleno vôo, quando cheguei à empresa e encontrei registros financeiros e contábeis feitos a caneta em arcaicos livros pretos.
Minha função: gerente administrativo e financeiro. É um conceito vago a administração. Muito difícil de fazer as pessoas entenderem. Houve época em que me invejavam, pois o meu cargo tinha um certo nome, eu andava com um carro da empresa, etc., mas depois, quando passei a ganhar a metade do salário do meu funcionário mais idiota, ninguém mais se interessou em me destronar.
Normalmente, depois do backup, eu crio algum módulo adicional. Hoje mesmo criei um analisador de produtos vendidos, um calculador de ICMS a recolher, um transferidor de saldo bancário, além de uma série de outras coisinhas miúdas de quem nem me recordo.
Feito o backup (ainda estamos nele), a próxima meia hora fica por conta de me levantar e abrir o portão eletrônico (afinal a empresa é de eletrônica) para os funcionários. Dois deles chegam invariavelmente atrasados, mas um é primo do dono, e a outra é a preferida do dono, portanto, não posso mexer.
Pronto. Chegaram todos. São 9:00. O tal primo fala em voz alta sobre a novela da noite anterior. A minha sala é exclusiva, mas tenho que aturar esse papo furado sobre novela e, pior, futebol. É uma pessoa que apregoa que a necessidade básica de um homem é futebol. Sim, ele é doido.
Recebo uma ligação de São Paulo. Uma senhorita muito educada me ameaça com seu departamento jurídico porque eu ainda não registrei o nome comercial da empresa no INPI. Tem mais gente interessada.
O contador liga me pedindo instruções sobre como proceder com o ICMS, uma vez que está sendo ajustado de última hora.
Uma grande companhia mineradora me liga de São Luís, no Maranhão, me dizendo que existem peculiaridades nunca vistas antes para o pagamento de faturas emitidas contra a tal empresa.
O funcionário em Rio Piracicaba-MG me liga dizendo que a empresa em que ele está prestando serviços se recusou a deixá-lo entrar, e continua aguardando na portaria uma atitude minha.
O dono da empresa chega de surpresa e me sugere fechar a empresa filha, imediatamente. Argumento alguma coisa, mas ele não aceita. Já tomou conselho com outro.
O advogado da empresa liga querendo marcar reunião comigo. Pergunto o assunto, nada, é só uma reunião de rotina.
A funcionária grávida me chama porque uma nota fiscal enviada para Salvador está retida na transportadora, lá naquela cidade. Motivo: existe uma particularidade baiana quanto a faturar contra hospitais, e eu tenho que contornar o problema junto à Secretaria de Fazenda da Bahia, que inexplicavelmente não funciona antes das 14:00h.
A senhora dos serviços gerais começa então a contar uma longa história dos tempos em que ela era moça.
Enquanto leio os emails, recebo a visita de outro funcionário que se queixa de que o projeto que lhe passaram para executar está totalmente diferente do real, e que assim nao consegue produzir com qualidade.
Recebo um email de New York, da porto-riquenha que gosta de falar. Evito ligar pra ela, pois não gosto da lingua espanhola (apesar de minha ascendência) e ela é muito prolífica em palavras quando se trata de falar inglês.
Normalmente eu comunico a ela que fechamos um pacote com uma grande empresa multinacional e que ela foi escolhida como fornecedora.
Ela sempre acredita.
Ligo para Sorocaba, numa empresa de engenharia, que me deve documentos sobre arrecadação de INSS de 2003 !
Nunca me atendem com boa vontade.
A garota do financeiro me liga, no ramal, explicando que não sabe quanto tem que pagar de gratificação aos funcionários em viagem, quais os reembolsos devidos, etc.
No meu sistema de gestão está agendado : Araujo, vou me atrasar pois tenho que levar a filha à festa da escola.
Recebo um telefonema de uma empresa paulista me informando sobre curos de rede, para os quais pretendo enviar um ou dois funcionários.
Sou também um beta tester do novo formulário de nota fiscal que encomendei e que acabou de chegar. Então, toda nota fiscal eu mesmo imprimo, para conferir a diagramação e acertar no software. Hoje surgiu um problema. Foi emitida uma nota com todos os dados do cliente, exceto o CNPJ e inscrição estadual, que são indispensáveis nesse tipo de documento. Resultado: criei um relatório que ignora todas as outras informações e imprime apenas as desejadas.
Me ligam do Rio de Janeiro. Um empresário de lá me convida a passar o final de ano com a família dele. Irrecusável, mas vou pensar. No ano passado foram dois barris de chopp e cinco caixas de cerveja, pra quem não bebe bem quando está deprimido.
Outro funcionário me liga de Carajás dizendo que houve um problema com a licença do software que está instalando na rede do cliente.
Outro liga de uma cidade do interior de Minas querendo saber quanto e quando vai receber de férias.
Acabei de criar uma rotina no software que me permite saber quem está cotando pra quem e por quanto.
Esse software foi destruído por algum agente nocivo e desconhecido, faz menos de um mês. Tive que recriá-lo do nada. Antes ele até conversava com os usuários, usando a tecnologia MsAgent da Microsoft. Agora está bem mais espartano, mais eficiente e confiável. Mas sempre alguem reclama alguma coisa e isso é corrigido imediatamente.
A funcionária das compras quer que o programa informe a ela o que ela cotou, com quem, por quanto e em que época. A outra quer que o documento, se assim for a opção, seja impresso em inglês.
Outra me pede a classificação fiscal de produtos importados dos Estados Unidos. A moça de N. York nem faz idéia do que seja isso.
Estamos na hora do almoço.
Todas pedem sanduíches, pois vou passar perto da lanchonete preferida do bairro.
Após o almoço, a mesa entulhada de papéis das mais diversas naturezas, recebo a chave de um carro que estava em viagem. Consigo resolver o problema do INSS de 2003, e encaminho a documentação escaneada para o contador, que me liga de volta querendo saber se as férias de uma funcionária serão pagas em dobro.
Vem então o camarada que tem como necessidade básica é futebol e doidamente me fala que fechou grandes negócios em algum lugar do mundo. Sei que é bravata e finjo escutar. Ele não fecha negócios, mas enche a paciência dos clientes, estes sim, a ponto de não fecharem mais com a gente. Me elogia, falando que sou o melhor administrador que ele já conheceu na vida, mas eu o evito, pois ele é traiçoeiro como uma cascavel.
2005-12-12
JavaMan

public static void main(String args[]){
DaddyLovesYou sample = DaddyLovesYou();
}
Poucos momentos passamos juntos. Você aparece de repente, sem avisar, não me fala nada. Senta-se diante de uma tela, a mesma que tem sido testemunha viva de meus desvarios e medos. Então você assume a minha casa, a minha vida, muda a minha rotina. Enche meu tempo com essa ternura que por anos eu guardei. Gosta de ver os filmes que eu pacientemente acumulo para que você veja. Estou aprendendo Java para poder conversar com você na mesma língua. Nada se parece com a nossa história de dBase III, Visual Basic e Delphi.
Somos parecidos, temos um refinado paladar musical, desconfiamos de comida caseira, fugimos do convencional, falamos pouco, nossa alma angustiada procura incessantemente, dia e noite, satisfazer nossa curiosidade acerca de tudo. Regularmente recebo seus links, são as suas descobertas que deseja compartilhar comigo. Eu, em contrapartida, lhe dou o que tenho de mais genuíno, esse carinho incondicional, esse orgulho totalmente racional.
Mas você é orgulhoso também. Acha-se o máximo, e não é menos do que isso. Certa vez eu li que você me acha um super-homem. Sou seu herói, mas você é o tipo de fã que não se manifesta. Como eu iria saber então, se não fosse por acaso revistando seu velho HD de 40 Gigabytes, na época em que existiam HDs de 40 Gigabytes?
Ontem chegou de manhã na minha casa, onde consumo os meus dias sozinho. Fechou as cortinas, arrastou a cadeira vermelha, postou-se diante do meu computador e começou a investigar as notícias do mundo Java. Pouca coisa me falou, mas a nossa linguagem não se expressa através de palavras, mas de algoritmos.
Talvez eu o tenha gerado assim, com uma lógica indecifrável para muitos. Hoje você que éo meu herói, meu gênio brilhante em quem imprimi os meus sonhos. Logo vou passar, e a dimensão que me espera será um berço esplêndido para alguém que experimentou o nirvana de ter alguem como você, amigo e confidente.
Não vou escrever mais, pois você sabe que tenho uma defeito de nascença. Se eu começar a escrever sobre você, pararei somente quando as minhas cãs descerem ao chão e a luz se limitar a apenas uma réstia em olhos cansados.
Desejo a você toda a felicidade que está preparando, e mais aquela porção que Deus reservou como prêmio.
Assinar:
Postagens (Atom)
