Meu pai,
Que de coragem e bravura fez sua história
Em sua terra desconhecida
Hostil e inglória
Onde com o teu suor de menino
Ganhaste a gleba que te hل de cobrir
Sou com tu, pai
Meu pai,
Que começo a perder na distância
Homem bonito que sempre se estimou assim
Impondo o respeito com teu jeito manso
Espalhando o medo com tuas maneiras duras
Sou como tu, pai
Meu pai,
Cujo coração abriga amores
Poemas e cantigas que jamais morrerمão
Cujos segredos continuarمo insondáveis
Cuja alma permanecerá boa como sempre
Sou como tu, pai
Meu pai,
Lembro-me de como me soltaste no mundo
Impْúbere garoto com um longo destino
Choraste a minha ausência quando viste
Que apesar de tudo eu era teu filho
Me amavas então, mas de mim abriste mão
Sou como tu, pai
Meu pai,
Cujo sangue espanhol fervilha
Em maneiras ora rudes ora delicadas
Incapaz de odiar teus raros inimigos
Apto para amar teus numerosos amigos
Sou como tu, pai
Meu pai,
Teimoso com as tuas dores internas
Mestre em esconder teus sentimentos
Sensível à beleza, amante da natureza
Homem intrépido, sempre comedido
Sou como tu, pai
Meu pai,
Meu grande herَói polivalente
Cuja cultura não se aprende em livros
Cuja lisura não está nos compêndios
Pai, mineiro discreto e calado
Sou como tu, pai
Meu pai,
De grandes e carinhosas mãos
Cujo nariz enorme sempre atento
Pai, de proporçُões sempre máximas
Fizeste tua gente delirar por ti
Sou como tu, pai
Meu pai,
Nمo me deixes agora, ainda é cedo
Ainda não pudemos ser confidentes
Pois guardas teus segredos como eu
Que guardo meus segredos
Pois eu sou como tu, pai.