Ainda que se façam meus ouvidos moucos
Para um passado torturante que me assusta
Vez por outra se sobressaem os loucos
E ouvir as suas loucuras, quanto me custa !
É o riso maléfico de escárnio que o dia assola
De quem devia seguir o caminho que escolheu
Mas ainda concebe pensamentos que não controla
Não se apercebe de que esse tempo já morreu?
Houve esse tempo de pronunciar o meu nome
De uma forma ou de outra, mas já aconteceu
Dessas almas atormentadas o inferno tem fome
Quem deve ocupar essa lembrança não sou eu
Foi-me necessário descobrir o caminho
Para trilhar sozinho por um tempo bom
A ele fui conduzido com esmero e carinho
Por um anjo que para sempre dá o tom
There is a special place where we stop being who we are to simply move beyond our borders. That's where our dream becomes real and tangible, based on our experiences and feelings. Here is one such place. Soak your conscience and live by every word as if you had said the same.
2016-10-19
2016-09-17
Um dia na vida
Um dia começa com o ruído da rua
Em que passos mecânicos buzinam
Trazendo e levando quem tem pressa
Em que passos mecânicos buzinam
Trazendo e levando quem tem pressa
O sol pede licença para entrar
O sono já saiu faz muito tempo
Dando lugar a listas intermináveis
Que catalogam passado e presente
O sono já saiu faz muito tempo
Dando lugar a listas intermináveis
Que catalogam passado e presente
Um sorriso no rosto é saudação
Somado a um capuccino homemade
O futuro não existe, de tão improvável
Somado a um capuccino homemade
O futuro não existe, de tão improvável
2016-08-31
Maressa
Com a doçura das fadas loiras
A delicadeza das princesas nórdicas
A determinação do bisavô Emilio
A voz tão suave e sutil, falando amor
Declarando paixão por aqueles que a cercam
Citando nomes, um deles é esse reles vovô
Que tem a honra de ver impresso meu DNA
Nesse raro exemplar de mulher
A pequena mulher que cresce, saudável
Minha adorada netinha que me abraça
E abre seu coração com todo o amor do mundo
Contando histórias de anjos e batalhas
Discorrendo sobre os segredos da vida
Pois ela é a própria vida.
2016-08-10
Penumbra II
No silencio fortuito da noite
Meu corpo se eleva ao teto
Num estertor involuntario
De quem sabe que sonha
Meu corpo se eleva ao teto
Num estertor involuntario
De quem sabe que sonha
Ouço vozes que eu mesmo calei
Vejo rostos que eu ja esqueci
Toco a penumbra com essas mãos
Incapazes de se conterem mais
Vejo rostos que eu ja esqueci
Toco a penumbra com essas mãos
Incapazes de se conterem mais
Sou um fantasma que voa
Sem nunca, porem, ter morrido
Não dessas mortes comuns de todos
Mas que sufoquei na alma
Sem nunca, porem, ter morrido
Não dessas mortes comuns de todos
Mas que sufoquei na alma
Alma, essa, agora tão inquieta
Diante dos dias em que doem
Todas as dores ja acumuladas
A que pensei que me acostumara
Diante dos dias em que doem
Todas as dores ja acumuladas
A que pensei que me acostumara
Por favor, não me interpelem
Não investiguem o pobre homem
Não questionem o sonhador
Não interrompam o sonho infinito
Não investiguem o pobre homem
Não questionem o sonhador
Não interrompam o sonho infinito
Deixem o poeta falar do que viu
2016-07-17
Na penumbra
Ouço meu coração descompassado
Na penumbra desta manhã
Em que meus sentimentos dormem
Curvados sob o peso do passado
Ao longe, como está o próprio futuro
Na penumbra desta manhã
Em que meus sentimentos dormem
Curvados sob o peso do passado
Ao longe, como está o próprio futuro
Tento reagir com bravura e coragem
Mas sou um arremedo de homem
Que se contorce sob a dor presente
Minhas horas se vão aceleradas
Até quando, eu não posso saber
Mas sou um arremedo de homem
Que se contorce sob a dor presente
Minhas horas se vão aceleradas
Até quando, eu não posso saber
Estou morrendo, mas sempre estive
Desde que pus os pés neste mundo
Desde que pus os pés neste mundo
2016-07-14
Evero
Digo, solene, que não venero
Tudo o que se leva a sério
E dessa forma não quero
Pois estou sendo sincero
Vejo que, assim, tudo é mero
Pensar, e pensar é venéreo
Se o pensamento desonero
Tudo o que se leva a sério
E dessa forma não quero
Pois estou sendo sincero
Vejo que, assim, tudo é mero
Pensar, e pensar é venéreo
Se o pensamento desonero
2016-07-12
Aquele Poema
Aquele poema que não nasceu
Mas que foi concebido em dores
E, carregado de amores estranhos
Permanece lívido no berço
Ninguém jamais saberá seus termos
Se expressa esperança ou alento
Se prenuncia tragédias e caos
Ou se simplesmente se deixa
Segredos obscuros talvez guarde
De rostos misteriosos que existiram
De vozes que falaram tão perto
De gestos que muito significaram
Não tem nome, marca ou título
Mas tem um corpo, tem alma
Que, por si, permanece etérea
Como toda alma tem que permanecer
Mas que foi concebido em dores
E, carregado de amores estranhos
Permanece lívido no berço
Ninguém jamais saberá seus termos
Se expressa esperança ou alento
Se prenuncia tragédias e caos
Ou se simplesmente se deixa
Segredos obscuros talvez guarde
De rostos misteriosos que existiram
De vozes que falaram tão perto
De gestos que muito significaram
Não tem nome, marca ou título
Mas tem um corpo, tem alma
Que, por si, permanece etérea
Como toda alma tem que permanecer
2016-07-08
Adeuses
Nos olhos sobrevive o desejo imoral
De conhecer sempre melhor
O universo, tal como tal
Mesmo o daquele que se sente só
Mas os passos firmes de quem conhece
O segredo do sempre descobrir
E se envolve, revira e padece
Não podendo ficar, pronto para ir
É como se jamais tivesse partido
De conhecer sempre melhor
O universo, tal como tal
Mesmo o daquele que se sente só
Mas os passos firmes de quem conhece
O segredo do sempre descobrir
E se envolve, revira e padece
Não podendo ficar, pronto para ir
É como se jamais tivesse partido
No meu mundo
Olhando o teto do meu escritório, na penumbra crepuscular, com o pensamento fazendo mil evoluções e vôos rasantes perto desse meu chão de sexto andar, descubro, entre admirado e extasiado, que não são a mesma coisa, que me perdoem os retóricos simplistas e prosaicos, o mundo se desdobrando diante dos meus olhos míopes, e o balanço que me vem é que todos os dias a vida é melhor, mais bonita, mais rica e diversificada, e sempre consigo aproveitar tudo isso. As novas experiencias corroboram e ratificam as anteriores, tornando todas perenes, além de mim.
Charles
O quinto dos 13 filhos, cresceu focado nas coisas mais importantes da epoca: ler revistas em quadrinho, as famigeradas HQ's, e a aversão por futebol trazida em seu DNA. Suas obrigações eram assistir à missa todos os domingos, colher amendoim, feijão de corda e capinar o gigantesco pomar na fazenda, ele se entregava, nos momentos de descanso, aos folguedos da infância, no quarto separado da casa, que ele dividia com mais dois irmãos, ambos mais jovens, um com a doçura peculiar da familia, o outro com a parte mais nebulosa dos instintos humanos, o nervosinho de plantão.
Por ser o menor entre os irmãos, foi o mais suscetível aos acidentes infantis, quebrando braço e perna, mas nada comparado a ao irmão n° 3 que, enquanto engatinhava, entrou num forno de torrar farinha de mandioca, no que foi salvo de virar churrasco pelo irmão n° 2.
Seguindo a tradição familiar, seguiu para se formar "técnico em agropecuária" no centro do ES, indo logo depois, de mala e cuia, para Belo Horizonte, outra tradição da familia (no final, todos os nove irmãos sobreviventes se tornaram cidadãos belorizontinos).
Casou-se, tornou-se pai três vezes, separou-se, casando-se novamente, e novamente pai. Contudo, sua marca registrada sempre foi o amor incondicional pelos filhos, a empatia despertada em todas as empresas onde trabalhou, o carinho com que sempre foi agraciado nesses lugares, ele construiu sua vida embasado nesses pilares: amor, carinho, bom humor e cartuns. Sim, pois ele abraçou a profissão de cartunista, escreveu e publicou vários livros de contos infantojuvenis. De todos os irmãos, sempre foi o elo entre todos, informando-se e informando a todos do status de cada um, por ser mais uma característica da familia o desinteresse em se comunicarem. Ele assumiu gloriosamente essa nobre função, ao ponto de dois irmãos residentes na mesma cidade se comunicarem através dele, que morava em outro estado.
Este humilde alquimista das palavras gostaria de lhe dizer algumas , mas como ele mesmo me classifica, sou o escritor que não finaliza as idéias, talvez porque elas nunca devem ser finalizadas, pois continuam em outras dimensões. Mas independentemente de qualquer viagem, Deus olhe para você, concedendo-lhe tudo o que não merece, pois nenhum de nós merece a misericórdia de Deus. Mas que nenhum dos seus sonhos deixe de ser realizado, que seu amor pelos filhos e as pessoas seja a sua marca para sempre, e que não lhe falte nunca a ternura e cumplicidade daqueles que, como eu, o amam sem medidas.
Lunático
Todas as noites, a lua vem com seu olho astral
Derramar seu brilho sobre a minha alma
Trazendo-me um beijo peculiar que a mente
Projeta no infinito dos mistérios mais ardentes
Não sei se acordo ou se permaneço onde estou
No alto desta montanha onde não me conheço
Em asas voando por realidades virtuais
Onde ninguém mais chega além de mim
O sopro calmante das noites enluaradas
Me leva à perfeição dos seres imperfeitos
E então, deixo-me transportar para a galáxia
Que me foi destinada a cada luar
Não me lembro quem eu sou ou onde vou
Nem sei de onde vim, ou para o que nasci
Mas este momento é aquele em que sou um deus
E meu desejo é que tudo isso dure para sempre
Derramar seu brilho sobre a minha alma
Trazendo-me um beijo peculiar que a mente
Projeta no infinito dos mistérios mais ardentes
Não sei se acordo ou se permaneço onde estou
No alto desta montanha onde não me conheço
Em asas voando por realidades virtuais
Onde ninguém mais chega além de mim
O sopro calmante das noites enluaradas
Me leva à perfeição dos seres imperfeitos
E então, deixo-me transportar para a galáxia
Que me foi destinada a cada luar
Não me lembro quem eu sou ou onde vou
Nem sei de onde vim, ou para o que nasci
Mas este momento é aquele em que sou um deus
E meu desejo é que tudo isso dure para sempre
Breve reflexão sobre a vida
A vida sorri, às vezes desdentada e sombria, ora glamorosa e pulsante, mas que sempre vale a pena, de uma maneira ou de outra. As coisas, pessoas e situações que a povoam são rochas cimentadas que vão erigindo a história de cada um. E então, torna-se possível reviver, aproveitar e planejar tudo o que vale a pena, de uma forma íntima e pessoal que reflita em tudo o que está ao redor. Dessa forma, a forma divina de cada um se evidencia e envolve a muitos, e torna-se fácil realizar essa grande e honrosa tarefa de viver e ser lembrado.
Nem
Nem Atletico ou Cruzeiro
Belo Horizonte ou Rio de Janeiro
O que eu acho maneiro
É você trazendo o seu cheiro
Esparramado pelo travesseiro
Num movimento certeiro
Belo Horizonte ou Rio de Janeiro
O que eu acho maneiro
É você trazendo o seu cheiro
Esparramado pelo travesseiro
Num movimento certeiro
Três estações
Eu vim te saudar
Ó luar dos meus prazeres
Cujo brilho intensifica minha angústia
Trazendo-me uma ânsia voraz
Que desperta meus instintos
Eu vim te escutar
Ó voz da madrugada alta
Que escondes de mim segredo
O alento de minha vida
Ainda assim eu procuro
Absorver no ar um cheiro conhecido
Eu vim me render a ti
Ó inquietante alvorecer
Que assim tão intensamente
Vieste dizer-me que estou só
E dessa maneira eu vou morrer
Ó luar dos meus prazeres
Cujo brilho intensifica minha angústia
Trazendo-me uma ânsia voraz
Que desperta meus instintos
Eu vim te escutar
Ó voz da madrugada alta
Que escondes de mim segredo
O alento de minha vida
Ainda assim eu procuro
Absorver no ar um cheiro conhecido
Eu vim me render a ti
Ó inquietante alvorecer
Que assim tão intensamente
Vieste dizer-me que estou só
E dessa maneira eu vou morrer
Oh luar !
Oh luar de minhas lembranças
Todas difusas dentre os pergaminhos amarelados
Dessa aventura que se chama vida !
Por que deixaste a nuvem da chuva
Toldar o seu olho universal que me vigia
Se eu estou sempre por perto ?
Eis que me aproximo da linha de chegada
Enquanto corri para fazer e ser o melhor
Logo vou me esconder de tanta coisa
E me abrigar nos lugares de minha infância
Comer as cocadas baianas que me sustentaram
Os bijus e os biscoitos que me divertiram
As brincadeiras de familia que me fizeram homem
Esse cara que ri de tudo
Para enfim entender que a vida é séria
Todas difusas dentre os pergaminhos amarelados
Dessa aventura que se chama vida !
Por que deixaste a nuvem da chuva
Toldar o seu olho universal que me vigia
Se eu estou sempre por perto ?
Eis que me aproximo da linha de chegada
Enquanto corri para fazer e ser o melhor
Logo vou me esconder de tanta coisa
E me abrigar nos lugares de minha infância
Comer as cocadas baianas que me sustentaram
Os bijus e os biscoitos que me divertiram
As brincadeiras de familia que me fizeram homem
Esse cara que ri de tudo
Para enfim entender que a vida é séria
Uma poesia chamada lenda
Se a poesia já tornou-se lenda
Desfaço, então, minha prosaica tenda
Que ao longo dos risos eu costurei
Mas são apenas alguns anos, eu sei
Tão poucos diante do que hei de viver
Entre nuvens, miríades e austero dever
Chega a hora de, enfim, dar um grito
Que possa cruzar o mar até o infinito
Revigorada a esperança da plenitude
Que cultivei por toda a minha juventude
E em volta de mim gira o universo
Às vezes ameno, outras vezes perverso
Completo, porém, em suas mazelas
Para as quais atentam vãs sentinelas
Terá, Minas Gerais, cumprido teu prazo
De me enriquecer, embora com atraso,
De experiências transcendentais?
De tantas que algumas eu nem quero mais
Ou simplesmente a minha prolífica raiz
Firmada sobre essa minha base feliz ?
Desfaço, então, minha prosaica tenda
Que ao longo dos risos eu costurei
Mas são apenas alguns anos, eu sei
Tão poucos diante do que hei de viver
Entre nuvens, miríades e austero dever
Chega a hora de, enfim, dar um grito
Que possa cruzar o mar até o infinito
Revigorada a esperança da plenitude
Que cultivei por toda a minha juventude
E em volta de mim gira o universo
Às vezes ameno, outras vezes perverso
Completo, porém, em suas mazelas
Para as quais atentam vãs sentinelas
Terá, Minas Gerais, cumprido teu prazo
De me enriquecer, embora com atraso,
De experiências transcendentais?
De tantas que algumas eu nem quero mais
Ou simplesmente a minha prolífica raiz
Firmada sobre essa minha base feliz ?
Vida como ela é
Não nego minhas merecidas dores
Que transpassam esse corpo cansado
De muitas viagens, paragens inglesas
Calor capixaba, meu suor mineiro
Meu sonho carioca de ser mais que eu
Não admito, porém, esses estertores
Que me acometem como se eu, parado
Nada pudesse pelas partes indefesas
Que luto para defender, e num ligeiro
Deitar, me contorço dentro desse breu
Não me questiono, ainda que queira
Se realmente há méritos ou não
Ora, não sou menos sem eira nem beira
Mas um poeta de um antigo filão
E descubro nessa dor vil e lancinante
Que a vida ainda é linda e fascinante
Que transpassam esse corpo cansado
De muitas viagens, paragens inglesas
Calor capixaba, meu suor mineiro
Meu sonho carioca de ser mais que eu
Não admito, porém, esses estertores
Que me acometem como se eu, parado
Nada pudesse pelas partes indefesas
Que luto para defender, e num ligeiro
Deitar, me contorço dentro desse breu
Não me questiono, ainda que queira
Se realmente há méritos ou não
Ora, não sou menos sem eira nem beira
Mas um poeta de um antigo filão
E descubro nessa dor vil e lancinante
Que a vida ainda é linda e fascinante
Recado a um grande homem
Ah meu pai, herói de muitas batalhas
Sinto em mim a sua dor, ela é minha
Sua fraqueza ao caminhar, eu a tenho
Sua impotência em ver a fazenda
Desabrochando, convidando a realizar
Sei dos seus planos de continuar
Replantar o pasto, aproveitar a cana
Engordar os bois, refazer as cercas
Inventar seus artefatos de gênio
Eu acompanho a sua trajetória
Cada vitória sua, minha ela é também
Mas em cada uma das suas renhidas lutas
Estou por perto, no seu pensamento
Estou dentro do seu coração
E faço minha força a sua própria força
Vamos juntos vencer essa guerra
Conte comigo, ainda que eu esteja longe
Não lhe esqueço um só momento
Amo você, meu pai Emilio Janes Araujo
Sinto em mim a sua dor, ela é minha
Sua fraqueza ao caminhar, eu a tenho
Sua impotência em ver a fazenda
Desabrochando, convidando a realizar
Sei dos seus planos de continuar
Replantar o pasto, aproveitar a cana
Engordar os bois, refazer as cercas
Inventar seus artefatos de gênio
Eu acompanho a sua trajetória
Cada vitória sua, minha ela é também
Mas em cada uma das suas renhidas lutas
Estou por perto, no seu pensamento
Estou dentro do seu coração
E faço minha força a sua própria força
Vamos juntos vencer essa guerra
Conte comigo, ainda que eu esteja longe
Não lhe esqueço um só momento
Amo você, meu pai Emilio Janes Araujo
Noturno
Vai-te, maldito fantasma noturno
Que embaraça o meu sono curto
Quando me contorço no sofá
Acomodando a vértebra sofrida
Nesse yoga doloroso e senil
Vem, ó bendito peso nas pálpebras
Sê mais forte do que tudo
Faz-me repousar em mansos lençóis
Para que me apeteça o novo dia
E eu não sucumba a essa dor
Fica comigo, esperança de vencer
Dá-me a força de que preciso
Para eu ser a força de quem precisa
Que embaraça o meu sono curto
Quando me contorço no sofá
Acomodando a vértebra sofrida
Nesse yoga doloroso e senil
Vem, ó bendito peso nas pálpebras
Sê mais forte do que tudo
Faz-me repousar em mansos lençóis
Para que me apeteça o novo dia
E eu não sucumba a essa dor
Fica comigo, esperança de vencer
Dá-me a força de que preciso
Para eu ser a força de quem precisa
Dependente
Todos os dias, no mesmo caminhar
Te pego pela mão, me deixo levar
Para o lugar que se estende sob o sol
Mesmo que eu não cante, pobre rouxinol
Assento-me na estrada onde posso ver
As sombras da vida, do que sempre fui
E sinto a minha seiva, ora seca, ora flui
Sou um velho que acabou de nascer
E, menino que sou, ainda não sei mentir
Por isso me deixo levar pela mão, a sentir
O sol do dia, todos os dias me cobrindo
Então me amando, e eu assim, sorrindo
Pois ainda que imberbe, sou pleno
Mesmo com tanto desvelo, sou ameno
Mas falando isso, não sou honesto
Se eu me amo, acaba que eu não presto
Te pego pela mão, me deixo levar
Para o lugar que se estende sob o sol
Mesmo que eu não cante, pobre rouxinol
Assento-me na estrada onde posso ver
As sombras da vida, do que sempre fui
E sinto a minha seiva, ora seca, ora flui
Sou um velho que acabou de nascer
E, menino que sou, ainda não sei mentir
Por isso me deixo levar pela mão, a sentir
O sol do dia, todos os dias me cobrindo
Então me amando, e eu assim, sorrindo
Pois ainda que imberbe, sou pleno
Mesmo com tanto desvelo, sou ameno
Mas falando isso, não sou honesto
Se eu me amo, acaba que eu não presto
Aprendendo
Delicioso é pensar em como vivemos, quando mesmo sabemos o que vamos ver, vamos ter. O mundo girando em torno de si, em torno do sol, e nas voltas do destino, nosso destino vai sendo traçado. Será o Oráculo de Deus a instruir todas as coisas? Será um Noé contemporâneo construindo uma nova arca em que duas pessoas escapam do nonsense, das rotulações, do corriqueiro, do perfeitamente normal, se amamos ou se apenas somos amados, ou se amamos e não somos amados. Cada passo que se dá é um desafio, excitante e desconhecido como tem que ser, e nossas mentes se preparam, se formam, se armam para a grande batalha, o dia-a-dia em que aprendemos a ser nós mesmos, ainda que com as limitações pertinentes à nossa natureza.
Nossas vidas ora se dividem, ora são coesas e egoístas, mas sempre serão o nosso objetivo principal. Enquanto uns de nós, escrevendo nas páginas da história a história de suas vidas, outros simplesmente vivem sem pensar muito, cada um com seu percentual de erros e acertos.
Nisso está a grande sabedoria humana, de cada um ser quem quer ser.
Não falamos especificamente de quem quer que seja, mas falamos de nós mesmos, e a experiência metafísica nos ensinou que nada sabemos, e hoje ainda estamos na escola.
Nossas vidas ora se dividem, ora são coesas e egoístas, mas sempre serão o nosso objetivo principal. Enquanto uns de nós, escrevendo nas páginas da história a história de suas vidas, outros simplesmente vivem sem pensar muito, cada um com seu percentual de erros e acertos.
Nisso está a grande sabedoria humana, de cada um ser quem quer ser.
Não falamos especificamente de quem quer que seja, mas falamos de nós mesmos, e a experiência metafísica nos ensinou que nada sabemos, e hoje ainda estamos na escola.
Inacabada
O copo tombado no chão, o gelo derretido de uma farra solitária, os olhos ardendo diante da luz insuficiente da sala (quase escreveu bruxuleante, como gostaria, né ?), a toalha amarrada na cintura, ele pensava no que tinha acontecido. Era pra ser um dia calmo, na pasmaceira modorrenta de todo domingo, mas acordou com os trovões à sua janela, a chuva caindo pesada e constante.
Prestando mais atenção aos ruídos do dia ele pôde distinguir, sobressaltado, que gritos de terror ecoavam lá fora. Era uma guerra de nervos. Pessoas desesperadas sendo devoradas pelo horror da guerra. Foi então que percebeu que os trovões não o eram simplesmente, mas eram os canhões que espoucavam (onde já se viu guerra com canhões? isso é coisa da idade média!), enquanto os caças despejavam seus mísseis sobre a cidade indefesa.
O prefeito havia sido raptado e o poder tinha sido substituído pelas forças inimigas. Um general calvo (sem preconceitos, por favor), berrava num megafone (cadê a internet?) se autointitulando governador da província (província? por favor, me poupe, você bebeu o que?)
O quartel general das forças de ocupação (tem visto muito filme baixado em DIVX) tinha sido estabelecido no edifício JK (tinha que ser ele, tadinho, só pela má fama que sempre carregou injustamente, agora paga o pato). As crianças tinham sido agrupadas onde funcionava a polícia, no prédio (tá parecendo a história do Pink Floyd - The Wall. Só falta alguém cantar 'Leave those kids alone').
Olhou no fundo do copo (devia ser onde ele conseguia tanta informação). Sentiu que não estava bem. Não ele, mas o copo. Vazio, definitivamente. Tinha acabado a última garrafa de vodka, que sobrara do ano anterior, de tanto que ele bebera. Era uma vodka de marca duvidosa, comprada na promoção do supermercado Champion, quando este existia. Nada se comparando às beberagens do último reveillon no Rio.
- Será que fiquei louco? - pensou (interessante como eu sei o pensamento dele)
- E quem não é? - consolou-se
Ligou a televisão, mas não havia transmissão normal. Todos os canais transmitiam a imagem nefasta do general careca, que explicava que a cidade fora julgada e executada pelos seus numerosos pecados.
---- vou dar um tempo com a história ---- não estou entendendo mais nada e já passou de meia noite - o sono chegou. Amanhã a gente vê como termina isso.
Prestando mais atenção aos ruídos do dia ele pôde distinguir, sobressaltado, que gritos de terror ecoavam lá fora. Era uma guerra de nervos. Pessoas desesperadas sendo devoradas pelo horror da guerra. Foi então que percebeu que os trovões não o eram simplesmente, mas eram os canhões que espoucavam (onde já se viu guerra com canhões? isso é coisa da idade média!), enquanto os caças despejavam seus mísseis sobre a cidade indefesa.
O prefeito havia sido raptado e o poder tinha sido substituído pelas forças inimigas. Um general calvo (sem preconceitos, por favor), berrava num megafone (cadê a internet?) se autointitulando governador da província (província? por favor, me poupe, você bebeu o que?)
O quartel general das forças de ocupação (tem visto muito filme baixado em DIVX) tinha sido estabelecido no edifício JK (tinha que ser ele, tadinho, só pela má fama que sempre carregou injustamente, agora paga o pato). As crianças tinham sido agrupadas onde funcionava a polícia, no prédio (tá parecendo a história do Pink Floyd - The Wall. Só falta alguém cantar 'Leave those kids alone').
Olhou no fundo do copo (devia ser onde ele conseguia tanta informação). Sentiu que não estava bem. Não ele, mas o copo. Vazio, definitivamente. Tinha acabado a última garrafa de vodka, que sobrara do ano anterior, de tanto que ele bebera. Era uma vodka de marca duvidosa, comprada na promoção do supermercado Champion, quando este existia. Nada se comparando às beberagens do último reveillon no Rio.
- Será que fiquei louco? - pensou (interessante como eu sei o pensamento dele)
- E quem não é? - consolou-se
Ligou a televisão, mas não havia transmissão normal. Todos os canais transmitiam a imagem nefasta do general careca, que explicava que a cidade fora julgada e executada pelos seus numerosos pecados.
---- vou dar um tempo com a história ---- não estou entendendo mais nada e já passou de meia noite - o sono chegou. Amanhã a gente vê como termina isso.
Meus mortos
Meus mortos, não os comemoro, pois se foram para sempre, e nada me faria acreditar que estão ouvindo o que lhes falo, caso eu venha, em um surto de insanidade, falar com eles. Mas honro cada um deles, pois por eles sou honrado. Antonia Janes, que me aconchegava em sua casa sinistramente povoada, me tratando com o carinho que somente algumas avós especiais tratam. Rosalina, que se perdeu nos mistérios do Rio de Janeiro, mas que me apresentou ao seu mais elaborado quitute, dos que somente avós dedicadas oferecem aos seus netos. Deocleciano, meu avô negro, pequeno e resiliente, que não me conheceu tão bem assim, mas deixou para mim a sua coragem. Meu irmão Verdeval, cuja genialidade confundiu o mundo, e o mundo acabou levando-o a morar em outra dimensão. Tios, tias e primos, que compartilharam comigo o sobrenome daqueles que sabem ser diferentes, insanos, geniosos, alguns inteligentes, mas que não me convém enumerá-los aqui. Mas tenho outros mortos diletos: minha paciência com esse país que anda aos tropeços, minha coluna que deixei em Londres, depois das noites laborais e geladas, sob o soar das conversas em mesas teatrais de restaurantes, minha poesia que agora jaz num endereço na internet, onde jamais vou visitá-la, os livros que escrevi, todos devidamente engavetados em arquivos na nuvem, como é de se esperar de alguém tão moderno como eu, e meus amigos que acumulei ao longo da religião, que hoje não me reconhecem mais. A todos eu honro, repito, para que fiquem em paz onde estão.
Não estás só
Perguntaste, no leito de hospital, se alguém sabia que estás internado. A resposta é simples e direta: toda a tua numerosa descendência, Emilio Janes Araujo, todos aqueles que receberam de ti uma parte da tua personalidade, a força, o carisma, o bom humor, a honestidade sem limites, a inteligência acima do normal, a criatividade, tudo isso como presentes de Deus, todos estamos unidos em oração a esse mesmo Deus onipotente, para te dar muitos anos de vida, nos quais nos deleitaremos com tua presença entre nós. Mas, além desses que tem o teu sobrenome, muitos outros, filhos honorários, compadres e comadres, amigos, vizinhos e, principalmente, anjos de Deus, todos estão ao teu redor, de uma forma ou de outra, para te garantir esse carinho que é tão importante nessa hora. Em momento algum te falta o amor dos teus, que embora não expressem, por ser algo da natureza de alguns, mas no coração contrito estão contigo. Estamos todos com as nossas armas em punho para vencer contigo essa batalha. Te amamos, meu pai.
Grito sentido
Nasce do silêncio esse grito sentido
Que faz a vida a cada dia mais pungente
Ainda que abafado seja o gemido
Sendo o sopro de toda essa gente
Por todos os lados, o clamor do povo
Se renova e atinge o mais alto céu
Se não há mais como discernir o novo
As coisas continuam andando ao léu
O que será de quem sofre essa lama
Sem no entanto receber um quinhão
Do ouro que comprou mito e fama?
Foi-se a vida, rasgou-se o coração
Que faz a vida a cada dia mais pungente
Ainda que abafado seja o gemido
Sendo o sopro de toda essa gente
Por todos os lados, o clamor do povo
Se renova e atinge o mais alto céu
Se não há mais como discernir o novo
As coisas continuam andando ao léu
O que será de quem sofre essa lama
Sem no entanto receber um quinhão
Do ouro que comprou mito e fama?
Foi-se a vida, rasgou-se o coração
Rimas de sangue
Enquanto a noite se finda em vil tormento
Foge minh'alma, foge o pensamento
Em busca de um improvável alento
Pleno de esperanças, de que me alimento
Custa-me acreditar que passou o dia
Quando deixou-me por completo a alegria
E a paz, agora totalmente arredia
Apagou-se em completa e lenta agonia
Hoje preciso que tudo seja diferente
Um dia muito especial e emergente
Evocando prazer e amor ardente
Que me olha de longe, tão ausente
Comece logo, aurora venturosa
Vem me achar nesta cama sem prosa
Que se cala comigo em noites de dor
Longe da paz, ao largo do amor
Traz de volta aquele poeta antigo
Restabelece em mim um amor amigo
Embora não saiba o que eu procuro
Se, quando eu olho, tudo é obscuro
Foge minh'alma, foge o pensamento
Em busca de um improvável alento
Pleno de esperanças, de que me alimento
Custa-me acreditar que passou o dia
Quando deixou-me por completo a alegria
E a paz, agora totalmente arredia
Apagou-se em completa e lenta agonia
Hoje preciso que tudo seja diferente
Um dia muito especial e emergente
Evocando prazer e amor ardente
Que me olha de longe, tão ausente
Comece logo, aurora venturosa
Vem me achar nesta cama sem prosa
Que se cala comigo em noites de dor
Longe da paz, ao largo do amor
Traz de volta aquele poeta antigo
Restabelece em mim um amor amigo
Embora não saiba o que eu procuro
Se, quando eu olho, tudo é obscuro
Na Montanha capixaba
Na Montanha do Espírito Santo
Choro o meu silencioso pranto
Diante da dor de meu velho pai
Seu grito embota meu pensamento
Não posso dar-lhe meu alento
Nem posso aliviar o seu ai
Sofro com ele dias e noites
Esses dolorosos e duros açoites
Entristeço-me, meu semblante cai
Então, alheio à minha propria dor
Procuro servi-lo com todo o ardor
Mas isso não tem sido suficiente
Seu estilo tão exigente
Sou uma criança envelhecida
Por ele trocaria a minha vida
Hoje sou um reles fazendeiro
Arrastando-me não muito ligeiro
Para oferecer ao meu pai o melhor
Mas ele geme e me deixa confuso
Mesmo com seu poema difuso
Que então declama de cor
Já recebi tanto de Deus nesta vida
Que nada mais eu teria a pedir
Mas, Deus, olha essa luta renhida
E alivia a dor de meu pai, e aí
Posso morrer em silêncio e paz
Mesmo sem ter sido capaz
De lhe dar um pouco de mim
Mas não, que não seja tão assim
Choro o meu silencioso pranto
Diante da dor de meu velho pai
Seu grito embota meu pensamento
Não posso dar-lhe meu alento
Nem posso aliviar o seu ai
Sofro com ele dias e noites
Esses dolorosos e duros açoites
Entristeço-me, meu semblante cai
Então, alheio à minha propria dor
Procuro servi-lo com todo o ardor
Mas isso não tem sido suficiente
Seu estilo tão exigente
Sou uma criança envelhecida
Por ele trocaria a minha vida
Hoje sou um reles fazendeiro
Arrastando-me não muito ligeiro
Para oferecer ao meu pai o melhor
Mas ele geme e me deixa confuso
Mesmo com seu poema difuso
Que então declama de cor
Já recebi tanto de Deus nesta vida
Que nada mais eu teria a pedir
Mas, Deus, olha essa luta renhida
E alivia a dor de meu pai, e aí
Posso morrer em silêncio e paz
Mesmo sem ter sido capaz
De lhe dar um pouco de mim
Mas não, que não seja tão assim
Um homem forte
Vem ele, arrastando seus 85 anos
O rosto contorcido pela dor
Agora aqui, diante de mim, falando
De suas agruras, noite mal dormida
Uma sonda o mantém em movimento
O homem forte que me gerou
É agora um conjunto de ossos
Pouco a pouco aparecendo sob a pele
Sua recusa em nos ajudar
A cuidar dele, com mingau e zelo
Não lhe move a consciencia
O homem que planeja o futuro
Está preso nesse presente de dor
O homem inventivo e inteligente
Me olha com esse olhar doente
E eu adoeço mais do que ele
Com um milhão de regras e leis
Ele tenta se fazer valer como patriarca
Mas não pode. Sou o filho número 3
Quero fazer o meu melhor
Muitas vezes brigando, falando firme
O filho 2 não existe mais
O filho 1 tem ocupações importantes
Os demais filhos compartilham comigo
Essa luta cotidiana de curar nosso pai
Deus é quem sabe.
O rosto contorcido pela dor
Agora aqui, diante de mim, falando
De suas agruras, noite mal dormida
Uma sonda o mantém em movimento
O homem forte que me gerou
É agora um conjunto de ossos
Pouco a pouco aparecendo sob a pele
Sua recusa em nos ajudar
A cuidar dele, com mingau e zelo
Não lhe move a consciencia
O homem que planeja o futuro
Está preso nesse presente de dor
O homem inventivo e inteligente
Me olha com esse olhar doente
E eu adoeço mais do que ele
Com um milhão de regras e leis
Ele tenta se fazer valer como patriarca
Mas não pode. Sou o filho número 3
Quero fazer o meu melhor
Muitas vezes brigando, falando firme
O filho 2 não existe mais
O filho 1 tem ocupações importantes
Os demais filhos compartilham comigo
Essa luta cotidiana de curar nosso pai
Deus é quem sabe.
Mundo tolo
Era um mundo tolo, de guerras e amores. Ambos se confundiam ao ponto de ninguém entender onde começava ou terminava o outro. Muitas palavras, cortantes e ferinas na sua natureza, foram proferidas sem pudor. Mas elas não se perdiam. Eram plantadas em coração ferido, campo cujo fertilizante era a dor e impotência.
Era como se fosse um país desgovernado por uma equipe tão incompetente quanto corrupta. O amor, cuja cotação caira vertiginosamente, era trocado descaradamente por um pouco de guerra. O futuro se tornara nebuloso, e essa nebulosidade ofuscara a consciência. A letargia das palavras se assenhorou dos sentimentos, tornando-os volúveis e etéreos.
As pessoas transtornadas abraçavam causas deturpadas, e a cada dia alteravam sua percepção do bem ou do mal.
Os templos se tornaram mercados, as instituições perderam o foco.
Tudo se transformou em mercadorias : fé, moral, virtudes, conceitos e ideias, pais, mães e filhos, órgãos e sexo.
Era como se fosse um país desgovernado por uma equipe tão incompetente quanto corrupta. O amor, cuja cotação caira vertiginosamente, era trocado descaradamente por um pouco de guerra. O futuro se tornara nebuloso, e essa nebulosidade ofuscara a consciência. A letargia das palavras se assenhorou dos sentimentos, tornando-os volúveis e etéreos.
As pessoas transtornadas abraçavam causas deturpadas, e a cada dia alteravam sua percepção do bem ou do mal.
Os templos se tornaram mercados, as instituições perderam o foco.
Tudo se transformou em mercadorias : fé, moral, virtudes, conceitos e ideias, pais, mães e filhos, órgãos e sexo.
Campanha pelo resgate da lingua portuguesa
Talvez alguem me considere chato quando corrijo alguem que fala e escreve errado mas, esclareço que o faço apenas com pessoas que não merecem misericórdia, as que estudaram, concluíram um curso fundamental, ou que sabem ler. Ora, quem lê, tem por obrigação saber escrever. As palavras corretas, as frases bem feitas, as expressões bem definidas estão todas armazenadas nos livros. Ah, não gosta de ler? Então não tem jeito. Nunca leu ao menos 1 Paulo Coelho? Livro de bolso? Bárbara Cartland? Revista de Fofocas? Bula de remédio?
Claro, nem todos podem se dar ao luxo de ler toda a obra de Fernando Sabino, Rubem Fonseca, Marion Zimmer Bradley ou J.J.Benitez. Mas, pelamordedeus, não publiquem nada nas redes sociais que contenha algum erro. Eu vou ignorar completamente, mesmo que o assunto seja do meu mais profundo interesse. Admito erro de acentuação se você culpar o corretor do smartphone.
Se eu erro? Sim. Já errei alguma vez. Mas estou me esforçando, lendo mais, escrevendo mais, para um dia chegar à perfeição. Vou conseguir? Nunca. Mas jamais desistirei.
Salve a lingua portuguesa!
Claro, nem todos podem se dar ao luxo de ler toda a obra de Fernando Sabino, Rubem Fonseca, Marion Zimmer Bradley ou J.J.Benitez. Mas, pelamordedeus, não publiquem nada nas redes sociais que contenha algum erro. Eu vou ignorar completamente, mesmo que o assunto seja do meu mais profundo interesse. Admito erro de acentuação se você culpar o corretor do smartphone.
Se eu erro? Sim. Já errei alguma vez. Mas estou me esforçando, lendo mais, escrevendo mais, para um dia chegar à perfeição. Vou conseguir? Nunca. Mas jamais desistirei.
Salve a lingua portuguesa!
Volta ao berço
O silêncio se faz ouvir no coração da noite
Enquanto dorme a familia em seu berço
Fui o escolhido para vigiar o seu sono
Talvez porque ja fui poeta um dia
E tenho intimidade com a lua
Enquanto dorme a familia em seu berço
Fui o escolhido para vigiar o seu sono
Talvez porque ja fui poeta um dia
E tenho intimidade com a lua
Não me contenho de tanta excitação
Diante das doces e recentes lembranças
De duas cabeleiras loiras que correm
Em volta de mim, chamando-me vovô
Diante das doces e recentes lembranças
De duas cabeleiras loiras que correm
Em volta de mim, chamando-me vovô
Das mãos delicadas de uma filha
Que massageia minha coluna dolorida
Aplicando generosa camada de carinho
Que massageia minha coluna dolorida
Aplicando generosa camada de carinho
De pai e mãe que me recebem tão bem
A mim e à minha descendência
De irmã barulhenta que faz falta
Quando não está por perto com suas máximas
A mim e à minha descendência
De irmã barulhenta que faz falta
Quando não está por perto com suas máximas
Esqueço-me dos problemas que tive
Ladainha do mar
Ouço o mar
Rugindo na noite
Quando dorme
A minha humanidade
Ouço o mar
Que conta uma história
E vejo nela
Toda a minha vida
Que conta uma história
E vejo nela
Toda a minha vida
Ouço o mar
Na noite silenciosa
Em que descansam
Minhas gerações
Na noite silenciosa
Em que descansam
Minhas gerações
Ouço o mar
Que me traz saudades
De minha casa
De minha vida
Que me traz saudades
De minha casa
De minha vida
Ouço as ondas
Arrebentando na praia
Trazendo consigo
Uma velha canção
Arrebentando na praia
Trazendo consigo
Uma velha canção
O sal na pele
Vem da brisa marinha
E minha história
Continua todas as manhãs
Vem da brisa marinha
E minha história
Continua todas as manhãs
Diariamente
Todo dia, às quatro da manhã
Acorda pra fazer nada absolutamente
A não ser esperar a aurora
Que vem como todos os dias
Mas não é sempre igual
Há um tempo de organizar ideias
De avaliar resultados
Estabelecer metas e regras
Desfrutar prazeres solitários
Acorda pra fazer nada absolutamente
A não ser esperar a aurora
Que vem como todos os dias
Mas não é sempre igual
Há um tempo de organizar ideias
De avaliar resultados
Estabelecer metas e regras
Desfrutar prazeres solitários
O dia vai nascendo lentamente
Entre um canto do galo
E o gato furtivo sobre o muro
Entre um canto do galo
E o gato furtivo sobre o muro
Todos ainda dormem quanto podem
Alguns jamais acordarão
Ou o farão pela última vez
Alguns jamais acordarão
Ou o farão pela última vez
Alguns terão muita sorte
Outras enfrentarão batalhas hercúleas
E se fortalecerão, ou não
O certo é que todos aprenderão
Com esse novo dia que nas
Outras enfrentarão batalhas hercúleas
E se fortalecerão, ou não
O certo é que todos aprenderão
Com esse novo dia que nas
Cotidianamente
E a noite entre estranhos ruidos
De pessoas na rua vivendo
Enquanto outras em casa morrendo
Entre pungentes e silenciosos gemidos
De pessoas na rua vivendo
Enquanto outras em casa morrendo
Entre pungentes e silenciosos gemidos
Há uma profunda dor no peito
Que se cala diante do inevitável
Mas dor maior, de tão inigualável
É a que vem do lado direito
Que se cala diante do inevitável
Mas dor maior, de tão inigualável
É a que vem do lado direito
Fazendo yoga num sofá pequeno
Entre sono e insônia, o dia surgindo
Sem saber como as coisas vão indo
Ausente o pensamento sereno
Entre sono e insônia, o dia surgindo
Sem saber como as coisas vão indo
Ausente o pensamento sereno
Não é a ainda a honra da morte
Talvez simplesmente um jeito antigo
De conviver com a propria sorte
Sem lembranças, perdão ou a
Talvez simplesmente um jeito antigo
De conviver com a propria sorte
Sem lembranças, perdão ou a
Toca-me
Toca-me, ó vida
Com teu manto suave
Fazendo-me despertar desse dia
Em que os amanhãs se confundem
Em desencontros e incertezas
Beija-me, ó esperança
Com teu beijo doce
E cheiro de de sonho
Que somente os poetas apreciam
Faz-me, noite de outono
Teu amante mais viril
Para que todos juntos
Vejamos o novo dia
Com teu manto suave
Fazendo-me despertar desse dia
Em que os amanhãs se confundem
Em desencontros e incertezas
Beija-me, ó esperança
Com teu beijo doce
E cheiro de de sonho
Que somente os poetas apreciam
Faz-me, noite de outono
Teu amante mais viril
Para que todos juntos
Vejamos o novo dia
Tenho medo
Eu tenho medo da noite
Como um menino de verdes anos
Medo de me deitar pra dormir
E, de repente, não ser mais eu
Mas um pássaro esquisito
Que voa desengonçado até Paris
Ou um austero rei medieval
No calor de uma batalha decisiva
Ou um caçador de monstruosidades
Andando por becos escuros
Como um menino de verdes anos
Medo de me deitar pra dormir
E, de repente, não ser mais eu
Mas um pássaro esquisito
Que voa desengonçado até Paris
Ou um austero rei medieval
No calor de uma batalha decisiva
Ou um caçador de monstruosidades
Andando por becos escuros
Tenho medo de ser o amante
Que não sabe esquecer a traição
Ou mesmo o que adora tudo isso
Que não sabe esquecer a traição
Ou mesmo o que adora tudo isso
Temo ser o pastor e pregador
Para ovelhas sem nexo e pudor
Cujo senso de moral se exauriu
Para ovelhas sem nexo e pudor
Cujo senso de moral se exauriu
Tenho medo de ser o professor
Que, nos sonhos, emprega o suor
Para deixar o universo menos burro
Que, nos sonhos, emprega o suor
Para deixar o universo menos burro
Tenho medo, simplesmente
De sonhar sendo eu mesmo
Com tudo o que me aflige ainda
No alto de minhas experiências
De sonhar sendo eu mesmo
Com tudo o que me aflige ainda
No alto de minhas experiências
Tenho medo de dormir
E passar tanto tempo sem o sol
Que todos os dias me cumprimenta
E passar tanto tempo sem o sol
Que todos os dias me cumprimenta
Tenho medo do desconhecido
Que me assalta quando durmo
E, em capítulos que se seguem
Narra uma história inverossímil
Que, no entanto, é minha história
Que me assalta quando durmo
E, em capítulos que se seguem
Narra uma história inverossímil
Que, no entanto, é minha história
Tenho medo dos meus sonhos
Que se cumprem sem piedade
Sem me dar chance de consertar
Que se cumprem sem piedade
Sem me dar chance de consertar
Tenho medo de não acordar
Amores eternos
Existem amores etermos, sim
Daquele tipo que não depende
Da pessoa, de seus hábitos
De suas crenças ou aparência
De sua raça ou seu tipo
Da pessoa, de seus hábitos
De suas crenças ou aparência
De sua raça ou seu tipo
Existem amores eternos que, por si
Se sustentam ao longo da vida
E se manifestam de forma simples
Em lembranças, rostos e gestos
Se sustentam ao longo da vida
E se manifestam de forma simples
Em lembranças, rostos e gestos
São pessoas que, por existirem
Deixam a vida mais brilhante
Trazendo uma paz esfuziante
Despertando ternuras contidas
Fazendo do gigante comedido
O mais inocente dos amantes
Deixam a vida mais brilhante
Trazendo uma paz esfuziante
Despertando ternuras contidas
Fazendo do gigante comedido
O mais inocente dos amantes
Essas pessoas tem nome
Algumas nasceram de mim
Anderson, Nathielle e Thabita
Haddassa, Maressa e Isaac
Algumas nasceram de mim
Anderson, Nathielle e Thabita
Haddassa, Maressa e Isaac
Outras em mim nasceram
O dia
O dia em que nasci, eu me lembro
O universo se desdobrava em mil
E cada partícula me pertencia
Como um brinquedo de montar
O universo se desdobrava em mil
E cada partícula me pertencia
Como um brinquedo de montar
Aspirei o ar carregado deste mundo
Não era como eu estava acostumado
Havia um gosto de incerteza e medo
E esse sentimento cruel me fez chorar
Não era como eu estava acostumado
Havia um gosto de incerteza e medo
E esse sentimento cruel me fez chorar
Foi uma nova era, as coisas aconteciam
O caos se endireitava em algumas mentes
Como a minha
A tecnologia vanguardista dos amores
Se transformava em um algoritmo
Que ora parecia levar a um eldorado
Ora fazia o homem quedar-se
No desespero velado dos incompreendidos
O caos se endireitava em algumas mentes
Como a minha
A tecnologia vanguardista dos amores
Se transformava em um algoritmo
Que ora parecia levar a um eldorado
Ora fazia o homem quedar-se
No desespero velado dos incompreendidos
Poucos anos se passaram
E os reveses que a vida me perpetrou
Me forjaram no fogo da ironia
E então passei a brincar com tudo
Contudo nada parecia brincadeira
E os reveses que a vida me perpetrou
Me forjaram no fogo da ironia
E então passei a brincar com tudo
Contudo nada parecia brincadeira
Mesmo assim, escrevi poemas ditosos
Compus a mais bela canção
Que alguém poderia conceber
Para apresentar num festival fluminense
Compus a mais bela canção
Que alguém poderia conceber
Para apresentar num festival fluminense
Eu era adolescente, vivia sozinho
Aos poucos perdi a referência
Tornei-me sério e chato, portanto
Precisando todo dia me afirmar
Como parte desse universo que chorava
Aos poucos perdi a referência
Tornei-me sério e chato, portanto
Precisando todo dia me afirmar
Como parte desse universo que chorava
Hoje, pleno de minha consciência
Faço minhas escolhas todos os dias
Acertando ou errando
Mas vivendo cada dia como o último
Sem me importar se erro ou acerto
Faço minhas escolhas todos os dias
Acertando ou errando
Mas vivendo cada dia como o último
Sem me importar se erro ou acerto
Meu maior interesse é viver
Como a carne, fraca é
Estava eu, fogoso e faceiro, chegando da minha fisioterapia da coluna, no Barro Preto (um bairro de BH/MG, pra quem não sabe) quando, de repente, me vi diante do Burger King na hora do almoço, ao lado de minha casa. Olhamo-nos nos olhos, eu e o Burger King, ele com aquelas imagens de sanduiches perfeitos encharcados de bacon crocante. Resisti. Falei para os meus botões: sou fiel à minha dieta low-carb, preciso reduzir o triglicérides e ver meus netos na faculdade. Mas o BK (Burger King em London-UK) me falou, sedutor, com sotaque de Belzonte: "cetolosô. dotolongedocê. Vemcomê". Pensei comigo: somente hoje, né, gente. Prometo não morrer. Mas o anjo da dieta me assoprou no ouvido: "e se for hoje o SEU dia?". Chatice. Tem razão, pensei. Nisso, BK já chorava rios de refrigerante docinho, com aquele irresistível repeteco free e, apelando para a violência, exalou aquele cheiro de Mega BK™ Stacker, que me fez delirar. Tentei me segurar na placa de drive-in da lanchonete, mas o perfume de carne me arrebatava. Foi então que a salvação apareceu: um caminhão fedorento e barulhento passou por mim e, por um instante, me distraí com o ruido e o cheiro do escapamento. Foi minha deixa. Saí apressadamente.
2016-07-04
Vida Loka
Ele estava angustiado, desnorteado. Aquela festa não tinha nada a ver com ele. As pessoas iam e vinham, conversando alegremente em voz alta, tratando de assuntos de pouca ou nenhuma importância. Alguns ensaiavam alguns passos de dança, talvez animados pela adrenalina etílica. Ele não conhecia ninguém ali, além do dono da festa que, de tão ocupado em atender aos convivas, esquecera-se dele. Tímido, acostumado a dominar máquinas, códigos, algoritmos e lógicas, não se moveu para se enturmar e, dessa forma, acabou a um canto. Foi então que ela veio em direção a ele. Parecia que o conhecia de muito tempo. Apresentou-lhe uma taça gigantesca com um líquido espumante. Parecia champagne.
- Quer um pouco, gato ? - perguntou ela, insinuante.
Ele a olhou, analisando-a. Moça bonita, mas que parecia já ter bebido algumas. Trajava um vestido amarelo floral que lhe caia muito bem. Pareceu-lhe sexy.
- Quer um pouco, gato ? - perguntou ela, insinuante.
Ele a olhou, analisando-a. Moça bonita, mas que parecia já ter bebido algumas. Trajava um vestido amarelo floral que lhe caia muito bem. Pareceu-lhe sexy.
- Não, obrigado. Não bebo.
- O que é isso, companheiro?. Só um golinho, vai. Eu que tô pedindo - ronronou ela
E, unindo ação às palavras, aproximou a taça dos próprios lábios, sorveu um generoso gole e ofereceu a ele, que não teve como se desviar. Tomou um gole, saboreando-o. Era champagne, realmente. O sabor adocicado e amargo ao mesmo tempo era inconfundível. Só não arriscava definir como uma Chandon, mas já estava bom.
- O que é isso, companheiro?. Só um golinho, vai. Eu que tô pedindo - ronronou ela
E, unindo ação às palavras, aproximou a taça dos próprios lábios, sorveu um generoso gole e ofereceu a ele, que não teve como se desviar. Tomou um gole, saboreando-o. Era champagne, realmente. O sabor adocicado e amargo ao mesmo tempo era inconfundível. Só não arriscava definir como uma Chandon, mas já estava bom.
Foi então que aconteceu. O mundo girou, as imagens se distorceram e ele desabou pesadamente no chão.
Acordou num espaçoso sofá preto. Uma senhora simpática o observava. E ele voltou a ouvir a voz suave e, agora, inonfundível, da moça:
- Mãe, esse é o Brás, meu amigo. Brás, esta é minha mãe Berenice
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