2026-01-31

Não Venhas Ainda, ó Morte

Se insistes batendo à minha porta
Não ouço teu indesejável clamor
Nada tenho que me puna ou corta
A não ser essa minha eterna dor

Mesmo de tempos idos não te conheço
Se a vida celebro com o rebanho meu
Ainda que pequei eu não te mereço
Pois minha hora de ir não aconteceu

Afasta-te, pois, dos meus entes amados
Muito ainda eu preciso deles cuidar
Porque assim eu purgo o sofrimento

Fica longe dos meus felizes agregados
Que pelo sangue e amor ousei guardar
Para assim merecer tão nobre sentimento